58. #PapoÍntimo com Fabi Justus
Postado 7 de outubro de 2025 em Papo Íntimo por Ana Beatriz Cardo

Quando a gente pensa em resiliência, vem logo o nome Fabi Justus. Empresária, influenciadora, mãe de três e dona de uma história que mistura trabalho duro com vulnerabilidade real, ela contou no Papo Íntimo como empreendeu, por que escolheu parcerias de longo prazo e o que a sustentou no período mais difícil da vida: o diagnóstico de leucemia mieloide aguda.
Assim, sem romantizar, mas também sem perder a esperança, ela mostra que é possível atravessar tempestades com atitude, bom senso e uma rede de apoio firme.
Como começou a jornada empreendedora de Fabi Justus?
Em primeiro lugar, Fabi Justus cresceu vendo de perto o exemplo do pai, um “self-made man” que sempre reforçou a ideia de dar o suficiente para os filhos fazerem algo — mas não o bastante para não fazerem nada. Ao mesmo tempo, a mãe, que sonhava com medicina e se casou cedo, repetia um mantra: construir independência e não depender de ninguém. Dessa soma nasceu a vontade de trabalhar, aprender e empreender.
Depois da faculdade de Rádio e TV, ela mergulhou na moda: estágio no universo do estilo, passagem por empresas como Ricardo Almeida (na época com linha feminina) e Iódice, e a criação da própria marca, a Pop Up Store, em 2009.
Foi escola de verdade: montar time, tocar coleção, planejar e lidar com a realidade que o papel não mostra. Então, a marca ganhou visibilidade, mas também cobrou o preço clássico do varejo — estoque alto, margem apertada, rotina puxada. Veio a venda para um grupo do setor e, mais tarde, o encerramento das operações. E a Fabi não chama isso de fracasso: chama de ciclo que ensinou tudo o que ela usa hoje.
Além disso, com as redes crescendo e a vida mudando, ela entendeu que o trabalho como influenciadora permitiria controlar melhor a agenda, especialmente quando decidiu ser mãe. Ainda assim, o espírito de dona do negócio falou mais alto.
Vieram as colabs que viraram parceria societária com a Le Crochê. Depois, sociedade em um negócio de second hand de luxo; e participação como embaixadora e sócia na Nuvem Shop. Em vez de publis soltas, Fabi Justus passou a buscar vínculos profundos: contar história por meses, construir marca junto, somar visão estratégica ao conteúdo.
Como a internet ajudou Fabi Justus a transformar vulnerabilidade em conexão?
Afinal, a internet tem luz e sombra, certo? Por isso, ela viu os dois lados e escolheu usar o melhor: transparência com responsabilidade. Quando enfrentou infertilidade, abriu o jogo só depois que deu certo — gravou um vídeo contando o processo de FIV, a perda gestacional e o nascimento das gêmeas. Dessa forma, acolheu mulheres que se sentiam sozinhas. Muitas escreveram dizendo que não desistiram por causa do relato.
Anos depois, com o filho caçula ainda bebê, veio o baque: dor nas costas, febre baixa, pronto-socorro — e o diagnóstico de leucemia mieloide aguda. Dessa vez, ela decidiu compartilhar desde o início. Foi direto: falou do medo, do tratamento, das internações longas, sem floreio. E recebeu uma onda gigante de apoio.
Muita gente rezou por ela, em diferentes fés. Ela chama isso de “o lado maravilhoso da internet”. E ressalta: quem se expõe precisa lembrar que autonomia vem junto com responsabilidade. Por isso ela evita polêmica e trabalha consistência: menos explosões pontuais e mais narrativa contínua.
Como foi o processo de diagnóstico e transplante da Fabi Justus?
Fabi Justus ficou quase 40 dias internada no primeiro ciclo de quimioterapia. Zerar a doença exigiu zerar a imunidade — e o corpo sentiu. Então, veio uma síndrome inflamatória grave, UTI, medo. O painel genético mostrou que o tipo de mutação exigia transplante de medula.
Os exames da família indicaram compatibilidade de 50% com o irmão e a irmã. Ainda assim, a equipe seguiu buscando doador 100% no REDOME e no banco internacional. Encontraram um doador norte-americano totalmente compatível, pronto para doar com rapidez. Eles trocaram cartas anônimas; o resto do contato depende do prazo legal, e ela já manifestou o desejo de conhecê-lo.
Até o transplante, cada semana pedia um mielograma para checar se a doença se mantinha negativa. E, no dia a dia do hospital, a fé entrou como rotina: a cada infusão, ela e o marido rezavam o Shemá — presencialmente ou por vídeo. Nesse período, a dor mais difícil não era a física, era a saudade das crianças e a culpa que toda mãe conhece, mesmo quando não faz sentido.
A rede de apoio segurou as pontas, a casa girou, e quando ela pôde voltar, veio a fase do isolamento doméstico, com adaptações para proteger a imunidade, escola pausada das meninas por um tempo, e a família caminhando junto.
Agora, olhando pra trás, Fabi Justus repete: ela não romantiza nada. Foi muito difícil. Porém, aprendeu a agradecer o que parece banal: levar as filhas à escola, sentir o vento no rosto depois de meses de ar-condicionado, ver o filho dormir no colo. São esses micro-momentos que viram âncora.
Otimismo, força e fé são fundamentais
Para ela, o otimismo” não foi pensamento mágico, e sim foi a sua postura. Afinal, ela encarou decisões, confiou na medicina (e lembra: ciência também é criação de Deus), seguiu o protocolo e pediu ajuda. “Força” não foi negar a dor, foi reconhecer limites e, mesmo assim, ir adiante.
E a “fé” foi presença: conversa com Deus, orações em família, gratidão constante. Por isso, Fabi Justus reforçou que as situações difíceis chegam com ou sem convite. Portanto, o que muda é como a gente lida com elas.
Quais aprendizados práticos Fabi Justus leva para a vida e para os negócios?
Antes de listar os pontos-chave, vale lembrar: tudo abaixo veio do que ela viveu e contou — trabalho, maternidade, doença, internet e propósito:
- Parcerias de longo prazo contam melhor uma história. Em vez de ações únicas, Fabi Justus prefere contratos de meses para construir narrativa e resultado de verdade.
- Vulnerabilidade cria ponte. Falar de infertilidade e, depois, do câncer aproximou pessoas e gerou rede de apoio. Ao mesmo tempo, ela escolhe o que, quando e como expor.
- Inovação é comportamento, não só moda. Ela começou podcast cedo, abraçou TikTok quando entendeu a linguagem e defende acompanhar tendências de consumo e de comunicação.
- Negócio não é só cifra: é gente, estoque, margem, operação. A Pop Up Store ensinou o lado duro do varejo e virou bagagem para as sociedades atuais.
- Fé e ciência caminham juntas. Ela seguiu o tratamento à risca e rezou em todas as infusões. Uma coisa não exclui a outra.
- Consistência vence picos de atenção. Marcas e pessoas ganham reputação com cadência: imprensa, eventos, redes e comunidade conversando entre si.
- Rede de apoio não é luxo, é base. Família, amigos e profissionais sustentaram a rotina quando ela precisou se afastar das crianças e depois no isolamento.
- Cuidado com energia e limites. Ela evita polêmicas e escolhe estar onde pode levar leveza, sem perder a firmeza.
- Abrir portas ajuda, fazer acontecer transforma. Ter oportunidades conta e usá-las com atitude é o que dá resultado.
Como a visão de comunicação de Fabi Justus conversa com o agora?
Quando Fabi Justus fala de internet, ela puxa um fio estratégico: não adianta um “tiro de canhão” sem sequência. É melhor integrar frentes: imprensa para dar credibilidade, influenciadores para contar, eventos para experienciar, redes para manter a conversa viva e comunidade para sustentar.
Dessa forma, cada ação reforça a outra. É assim que marcas param de “apagar incêndio” e começam a construir reputação.
No entanto, ela também lembra que cada plataforma pede linguagem própria. No começo do TikTok, tentou replicar o Instagram e não funcionou. Aos poucos, entendeu o formato e ali o conteúdo passou a crescer. A lição é simples: observar, ajustar, aprender e seguir.
O que fica de aprendizado quando o assunto é superar adversidades?
Então, o que toda a história ensina? Que coragem não some com o medo, mas caminha com ele. Já a fé não anula a medicina, e sim fortalece. Por outro lado, a exposição não precisa ser um espetáculo e pode ser serviço. E que a vida fica mais leve quando a gente reconhece as dores — sem negar — e escolhe um jeito mais humano de atravessá-las.
No fim, Fabi Justus saiu do hospital com a mesma convicção que levou para a maternidade e para os negócios: as coisas não são fáceis, mas dá para enfrentar. Com planejamento quando é trabalho, colo e rede quando é família, tratamento e oração quando é saúde. E com gratidão sempre, porque os dias comuns são, no fundo, os mais extraordinários.
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