71. #PapoÍntimo com Giovanna Mel: quem não aparece dá espaço pra quem sabe menos

giovanna mel

Antes de ser especialista em comunicação, mentora de CEOs do BTG Pactual, Nubank e G4, além de fundadora do Grupo Fabricário, Giovanna Mel era uma menina de 8 anos batendo de porta em porta no bairro vendendo bijuterias. Assim, com R$ 100,00 que o pai deu de presente e uma lição simples — compra barato, vende pelo dobro — ela descobriu o que seria o fio condutor de toda a sua vida: a capacidade de se conectar com as pessoas e fazer a venda como consequência do relacionamento.

O que a infância de Giovanna Mel tem a ver com quem ela é hoje?

A Giovanna que hoje treina executivos e ensina pessoas a se posicionarem como autoridade foi moldada por uma infância que não deu outra opção a não ser aprender a se adaptar.

Afinal, os pais se separaram cedo, ela mudou de escola 14 vezes, morou em três estados diferentes, viveu entre São Paulo, Espírito Santo e Rio de Janeiro. Então, essa instabilidade, que parecia só prejudicial, desenvolveu nela três coisas que ela mesma reconhece como fundamentais: capacidade de adaptação, habilidade de lidar com culturas diferentes e coragem para questionar o que parecia inevitável.

Aos 12 anos, foi morar com o pai e assumiu o papel de mãe dos dois irmãos mais novos — três e cinco anos mais novos que ela. Não era obrigação dela, mas era o que precisava ser feito e ela fez. Essa coragem de assumir o que precisava ser feito, sem plano B, acompanha Giovanna Mel até hoje.

Além disso, ela também teve duas fases de gagueira — aos 6 e aos 12 anos. As duas foram 100% emocionais, causadas pelo estresse das brigas familiares e das mudanças constantes. Não neurológicas, não permanentes. Com terapia e com o tempo, foi resolvendo. Porém, é essa história que a faz falar sobre medo de comunicação com tanto entendimento, já que ela viveu na pele o que é não conseguir expressar o que pensa.

Como Giovanna Mel começou na Globo e por que saiu?

Para chegar à Globo, Giovanna precisou primeiro sair de casa. Aos 17 anos, depois de se matricular escondida em jornalismo (contra a vontade do pai, que queria que ela fizesse direito) recebeu um ultimato.

Trinta minutos para fazer as malas e ir embora. Ela foi, trabalhou no shopping no fim do ano, fazendo hora extra por comissão e ficando até as 22h sem receber por isso. Juntou dinheiro para passagem e notebook e chegou em São Paulo.

De lá em diante: telemarketing, recepcionista em clínica médica, babá, tudo ao mesmo tempo em que pagava a faculdade de jornalismo com cheque especial e cartão de crédito. Até entrar em uma assessoria de imprensa como estagiária e sair de lá com nove clientes no segundo ano da faculdade.

Além disso, o processo seletivo da Globo tinha 18.226 candidatos para 11 vagas, em cinco etapas e três meses. Giovanna Mel era a única que não falava inglês, não tinha feito intercâmbio e nunca havia viajado para fora do país. Foi aprovada.

Então, quando perguntou à consultora de RH por que a escolheu, a resposta foi: “Você tem algo que os jornalistas não sabem explicar: uma atitude, uma vontade, um bichinho que faz resolver e acontecer.”

No entanto, ela chegou na Globo e se decepcionou. Em um dia específico, viu uma diretora correr feliz porque havia acontecido um assassinato e ela teria um factual para abrir o jornal. “Naquele dia eu olhei e falei pro mundo que eu quero descer”. Depois, esperou o contrato terminar, agradeceu e saiu.

Giovanna Mel diz que oratória não é dom — e explica por que guardar conhecimento é egoísmo

Giovanna Mel atende médicos, advogados, CEOs de grandes empresas. E percebe constantemente que essas pessoas acreditam que falar em público, gravar conteúdo e aparecer nas redes é ego — “quem quer saber sobre mim?”. Assim, ela inverte a lógica: quem está falando, servindo e ensinando é generoso. Mas, quem guarda o conhecimento para si é o egoísta. E enquanto você não aparece, você dá espaço para alguém menos preparado ocupar o seu lugar.

Sobre oratória não ser dom: desde Aristóteles, oratória é definida como a arte de falar bem em público. Por isso, se é uma arte, também é uma técnica e pode ser desenvolvida. Não quer dizer que não existam pessoas com mais facilidade natural, mas facilidade não é o mesmo que dom inato e imutável.

Quais são as soluções de Giovanna Mel sobre o medo de falar em público?

O medo de falar em público tem uma explicação fisiológica muito concreta. Afinal, existe uma região no cérebro — a amígdala — que está o tempo inteiro procurando perigo. Quando ela identifica vários olhares te julgando, entende como ameaça e aciona luta ou fuga. Na luta, a vontade é sair correndo. Na fuga, a pessoa trava completamente. É aí que vem o branco, o nervosismo, a incapacidade de falar.

Dessa forma, a solução que Giovanna Mel defende é a terapia de enfrentamento: dessensibilizar o medo expondo-se progressivamente. Ela cita o Steve Jobs como referência — parava tudo para assistir os lançamentos da Apple. “Se esse homem, com uma empresa desse tamanho, se expõe assim, quem sou eu para ficar escondida atrás da minha zona de conforto?”

Além disso, ela traz outro ponto sobre plano B: estudos mostram que ter um plano B é a pior coisa que pode acontecer para o plano A. Quando você só tem o plano A, a chance de fazer dar certo sobe para mais de 70%.

giovanna mel

Como a comunicação de Giovanna Mel salvou vidas durante as enchentes no Rio Grande do Sul

Giovanna Mel se casou com um gaúcho e foi morar em Porto Alegre. Por isso, quando as enchentes históricas atingiram o estado, ela estava na linha de frente.

Usou sua rede de comunicação para coordenar doações e atendimentos em oito cidades — em cada uma havia alunos dela que podiam receber e distribuir o que chegava de Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro.

Além disso, foi através da comunicação que ela se conectou com Lara Nesteruk e outras influenciadoras que conseguiram recursos e os direcionaram para ela, que já estava lá dentro.

O que é o Grupo Fabricário e por que Giovanna Mel o criou agora?

Depois de mais de 20.000 alunos em treinamentos de oratória online e presenciais — e mentorias para executivos como Portilho do BTG Pactual e Misa, quando assumiu como CEO do G4 Educação — Giovanna Mel percebeu que só oratória não resolvia mais. Os clientes queriam se posicionar nas redes, converter em vendas e faturar mais. Sendo assim, o Fabricário nasceu disso.

Três pilares definem o ecossistema

O primeiro é a oratória — o que ela já fazia e continua fazendo. O segundo é redes sociais: colocar na internet pessoas que sabem muito e que ainda não aparecem. O terceiro é conversão em vendas, porque no fim das contas, para o empresário, é isso que importa.

Três formas de atendimento

Te ensino a fazer, faço com você e faço por você. A sócia Fernanda cuida da estrutura do negócio. Assim, Giovanna Mel cuida da criação e da comunicação. Antes mesmo de lançar oficialmente, já tinha cinco clientes. O principal erro que ela identifica nos empresários? Quem mais precisa é quem menos procura ajuda. Quem a procura geralmente já é muito bom — e continua se desenvolvendo.

PRODUTOS RELACIONADOS

Gostou desse conteúdo? Leia também: