69. #PapoÍntimo com Maíra Cardi: quando a dor vira propósito

Maíra Cardi

Quem acompanha Maíra Cardi nas redes sociais vê uma mulher de presença forte, opiniões diretas e uma energia que parece inesgotável. Mas, o episódio mais recente do Papo Íntimo mostrou uma camada que cortes de três segundos no TikTok jamais conseguiriam revelar.

Afinal, é uma mulher que chegou aonde chegou não apesar de tudo que passou, mas atravessando cada coisa com as próprias mãos, sem rede de proteção, sem sistema que funcionasse a seu favor, sem ninguém fazendo por ela o que precisava ser feito. Vem com a gente saber mais detalhes de tudo que rolou nesse bate-papo incrível!

O que Maíra Cardi revelou sobre sua infância que poucos sabiam?

A história começa bem antes da fama, antes do Big Brother, antes de qualquer programa de emagrecimento. Maíra Cardi foi criada pela avó. Os pais estavam presentes, mas era a avó quem exercia o papel materno de verdade. Ela chamava os pais pelo nome — Vanda e Mário — e sentia pela avó o que se sente por uma mãe.

Então, quando o pai decidiu se mudar de São Paulo para o Mato Grosso, Maíra tinha 4 anos. Ela guardou uma foto 3×4 da avó em uma gaveta e, dentro do que sabia, dava água e comida para aquela foto. Essa separação, ela conta, foi onde começou o seu primeiro grande desapego, a sua primeira dor.

O pai era linha dura e machista. Havia prós e contras, como ela mesma reconhece — construiu resiliência, mas também criou uma armadura muito pesada. Quando ele faleceu, Maíra ficou ainda mais dura. Dessa forma, assumiu uma postura de força que, por muito tempo, foi a única que ela conhecia.

Além disso, ela revelou ter sofrido abusos na infância, que só foi entender e processar muito tempo depois. Segundo ela, esse histórico é diretamente ligado ao sucesso que teve no programa de emagrecimento, porque entendeu, na prática, como trauma e corpo estão conectados.

Maíra Cardi falou pela primeira vez sobre um abuso que nunca havia contado

Maíra contou que, quando trabalhava em uma emissora de televisão no início da carreira, sofreu abuso de um dos donos da empresa. Ele apertava os seios das funcionárias na frente de todo mundo — inclusive da própria esposa — como se fosse algo normal, acompanhado de frases aleatórias como “se concentra”.

Ela descreveu a confusão que esse tipo de abuso público cria na vítima: se ele faz isso na frente de todo mundo e ninguém reage, será que sou eu que estou errada em me sentir mal? Será que vou parecer louca se colocar limite?

Em determinado dia, ela conseguiu se impor e disse não, claramente. Assim, a reação do abusador foi inverter a situação: ela virou a louca, a que achava que era a última bolacha do pacote. A esposa riu e a Maíra ficou com a humilhação.

Além disso, ela disse que nunca havia contado isso publicamente antes. Que estava falando ali pela primeira vez e que escolheu contar naquele espaço — na casa da Sandra — porque acredita na importância de mulheres falarem sobre isso, especialmente para outras mulheres que viveram situações parecidas e ainda carregam a culpa como se fosse delas.

Como o sequestro aos 19 anos mudou quem era a Maíra Cardi?

Além dos abusos da infância e do ambiente de trabalho, Maíra Cardi viveu aos 19 anos uma situação extremamente violenta. Veio de um relacionamento conturbado — ela havia gravado ameaças, levado provas para a polícia. Então, o delegado disse que era briga de casal e mandou ela embora. Não havia Lei Maria da Penha e não havia estrutura, apenas havia uma menina sozinha em um sistema que não a via.

Um amigo delegado do pai, já morando no Mato Grosso, ligou e disse sem rodeios: tira sua filha de lá, porque senão ela vai morrer, não tem nada que eu possa fazer.

Maíra fugiu e foi nesse momento que algo se acendeu nela de forma incondicional e inconsciente. Ou ela fazia algo por si mesma, ou ninguém faria. Então ela foi para a televisão, começou a trabalhar como jornalista, começou a falar. Entendeu que a voz era o único instrumento que o sistema não poderia tirar dela.

Como Maíra Cardi construiu um negócio de emagrecimento sem ser nutricionista?

Maíra Cardi é formada em jornalismo e depois em psicologia. Criou um programa de emagrecimento que durou 20 anos e transformou mais de um milhão de pessoas, incluindo Anitta, Débora Seco e Cléo Pires.

O ponto de partida foi pessoal. Ela teve câncer de tireoide, mudou completamente a alimentação, entendeu a relação entre o que se come e como o corpo responde. Depois, quando o pai foi diagnosticado com câncer e os médicos deram três meses de vida, a família mudou a alimentação dele para orgânica e natural. Assim, ele viveu três anos a mais do que o previsto e Maíra leu aquilo como um propósito.

Mas, ela foi muito clara sobre uma coisa: nunca foi sobre comida. O programa funcionava porque tratava o emocional — e o emocional é o que faz a pessoa comer quando não deveria, parar quando não consegue, dizer não quando o corpo pede sim. Dessa forma, ela montou uma equipe multidisciplinar: nutricionistas, personal trainers, psicólogos, analistas comportamentais. Ela era o rosto e o time era a entrega.

As críticas vieram pesadas — nutricionistas que queriam estar naquelas manchetes, delegacias que ela visitou cinco vezes para provar que seu método era legítimo. Até que desistiram não porque a respeitaram, mas porque não tinham mais o que fazer.

O produto mais caro que criou custava 300 mil reais. Ela percebeu que mulheres com muito dinheiro não emagreciam no programa de 3 ou 5 mil porque o valor não gerava comprometimento. Quanto mais caro, mais a pessoa cuidava. Então criou um serviço completo: chef que viajava com a cliente, refeições servidas em qualquer hotel, logística que eliminava qualquer desculpa. Chegou a faturar 11 milhões em um único dia de lançamento.

Maíra Cardi

Por que Maíra Cardi fechou um negócio que funcionava para recomeçar do zero?

Quando se casou com Thiago Nigro, ela entendeu que precisava ser uma mulher diferente. Não menor, mas diferente. O posicionamento que tinha construído, ligado ao corpo, à exposição física, ao emagrecimento — não combinava com quem ela queria ser nessa nova fase.

Por isso, ela ficou um ano completamente fora da internet e ninguém sabia nada. Depois, voltou com visual completamente diferente: cabelo escuro, roupa fechada, postura nova. Queria que as pessoas vissem a mudança antes de ouvi-la. Percebeu que não conseguiria mais vender emagrecimento com esse novo posicionamento e então fechou. Um negócio que faturava milhões, encerrado por escolha.

No lugar, criou o mastermind para mulheres empresárias. O primeiro do Brasil, segundo ela, que trata ao mesmo tempo de negócios, maternidade, casamento e identidade feminina. Porque masterminds masculinos, por mais excelentes que sejam, não conseguem responder o que é gerir uma empresa enquanto se está amamentando, administrando uma casa com 15 funcionários e cuidando de três filhos de idades completamente diferentes.

O que Maíra Cardi pensa e fala sobre lidar com as críticas nas redes sociais?

Maíra Cardi não tem o hábito de ler os comentários. Então, a equipe filtra o que é útil e printa para ela. Thiago Nigro, que antes lia tudo, adotou o mesmo comportamento depois de conviver com ela. A explicação dela foi direta: quando você não entra, você escolhe deixar o lixo do outro com o outro. O comentário ruim é sempre sobre quem escreve, nunca sobre quem recebe.

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