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59. #PapoÍntimo com Mônica Salgado

Mônica Salgado

Quando o assunto é voz própria, coragem e jogo de cintura para mudar de rota, Mônica Salgado é referência. No Papo Íntimo, ela abriu o coração sobre redações de moda, a virada para a carreira solo, a relação com as redes sociais e o tal “poder de se posicionar”.

Sendo assim, o papo foi direto ao ponto: hoje ela valoriza a liberdade de falar o que pensa, dentro de um limite inegociável — sua consciência, seus valores e seus princípios. Além disso, ela contou como construiu a própria trajetória em um mercado fechado, por que decidiu sair da revista, como encara a cultura do cancelamento e quais aprendizados leva para a vida pessoal.

Quem é Mônica Salgado?

Em primeiro lugar, dá para resumir assim: jornalista desde sempre, curiosa, direta, com humor afiado e apego total à honestidade intelectual. Ainda na faculdade, Mônica Salgado já sabia que queria trabalhar com o universo feminino e escreveu porque amava escrever — muito por influência da mãe, professora de português.

Porém, no início, ela não tinha “contatos de redação”. Então foi de cara e coragem: mandou e-mails, sugeriu pautas, insistiu. Dessa forma, entrou na ELLE e, depois, cavou uma conversa com a diretora editorial que a levou para a Vogue, onde ficou cinco anos. Na sequência, assumiu a direção da Glamour aos 30, por mais cinco anos.

No entanto, o brilho do crachá nunca tirou o pé dela do chão: ela sempre teve noção de responsabilidade, liturgia do cargo e, ao mesmo tempo, o tal humor que não “cabia” na Vogue, mas casou perfeitamente com a energia irreverente de Glamour. Por isso, quando perguntam “como ela chegou lá?”, a resposta é uma mistura de preparo, persistência e timing.

Como a Mônica Salgado transformou a redação e antecipou as redes sociais?

Na época em que Instagram engatinhava, Mônica Salgado enxergou que não se tratava apenas de um aplicativo novo, mas de uma nova linguagem: mais pessoal, opinativa, leve e direta. Portanto, levou essa linguagem para a revista, adotando um texto mais solto e aproximando a publicação do que o público já consumia online. Além disso, puxou a conversa sobre influenciadores para dentro do editorial.

O gesto mais simbólico veio em 2013: a capa da Glamour com blogueiras. Até então, muitas revistas tratavam celebridades e criadoras digitais com certo desdém. Porém, ela entendeu que a humanização da comunicação — saber quem é a pessoa, como vive, quais vulnerabilidades tem — aproximava leitoras e marcas.

A capa rendeu conversa, mexeu com o mercado e abriu espaço para outras apostas ousadas. Assim, foi um divisor de águas!

Ao mesmo tempo, ela viveu por dentro a mudança do modelo de negócios: queda de assinaturas, queda da publicidade impressa e migração do investimento para o digital e para eventos ao vivo. Segundo ela, marcas e veículos precisaram aprender a monetizar experiências, e isso vale até hoje, principalmente no pós-pandemia, quando o olho no olho voltou com força.

Por que a transição de carreira deu certo para Mônica Salgado?

Depois de anos intensos em redação, Mônica Salgado percebeu que havia um mercado inteiro pedindo a presença dela — palestras, eventos, mediações. Na posição de jornalista, ela esbarrava nas regras de imparcialidade e conflito de interesses. Então, veio a decisão: planejar a saída, preparar quem a sucederia e transitar para projetos próprios, inclusive TV aberta.

Ela não romantiza: houve luto, estranhamento e dias “sem nada na agenda”. Mas, financeiramente, o começo andou — muito trabalho, muitas viagens para palestras, muitos convites. E internamente veio a reorganização de identidade: deixar de ser “Mônica da Vogue/Glamour” para ser Mônica, ponto. Por isso, ela destaca dois motores dessa virada: autonomia e liberdade de expressão. Hoje, os limites são os dela e não os de um conglomerado.

Além disso, ela foi realista sobre o contexto: salários de redação eram defasados, a mídia impressa vivia declínio e o dinheiro tinha migrado para digital e experiências. Portanto, fazia sentido ir “aonde o dinheiro vai”, desde que isso conversasse com propósito. No caso dela, conversou.

Como a Mônica Salgado lida com polêmica e “cancelamento”?

Afinal, se expor dá medo, e bastante. Mônica Salgado começou a se posicionar mais fortemente na pandemia, quando discussões sobre vacina, distanciamento e responsabilidades públicas explodiram.

Depois, passou a falar com mais frequência sobre política, economia e atualidades, além de criticar o próprio mercado da moda quando necessário. Então, veio a consequência natural: parte do público foi embora e outra parte se aproximou mais. Resultado? Comunidade mais forte, engajada e alinhada com os seus valores.

Dessa forma, ela não ignora a cultura do cancelamento, mas enxerga um movimento de “anti-cancelamento”: para cada tentativa de arranhar reputações, há uma base fiel que defende, rebate e sustenta a conversa. No entanto, isso não significa licença para ofensa. Ela mesma pontua: suas críticas podem ser duras, mas não carregam ataques pessoais, discurso de ódio ou incitação.

E, quando perguntada se se arrepende de algo que disse, a resposta foi clara: não. Porque foi coerente e porque esse caminho a trouxe para onde está hoje, satisfeita com o papel que exerce.

Por exemplo, no tema Israel e antissemitismo, Mônica Salgado contou que se informa, escuta amigos judeus e usa o discernimento para se posicionar. Ao falar, recebe mais agradecimentos do que ataques — um sinal de que a clareza de valores encontra eco.

Porém, ela também reconhece: a internet despersonaliza e rotula rápido, e é comum ver gente esquecendo que por trás de um arroba existe uma pessoa, com família, história e nuances.

Como construir marca pessoal sem virar um personagem?

Durante a conversa, Mônica Salgado foi objetiva sobre marca pessoal — de pessoas e de empresas. Em resumo, posicionamento importa, e muito. Porém, não se trata de “dizer em quem votou”, e sim de ser reconhecida por princípios.

Antes dos pontos práticos, ela reforçou uma ideia: consumidores, especialmente os mais jovens, compram por alinhamento — e ninguém alinha com quem não conhece. Por isso, não dá para ser neutra o tempo todo.

Dito isso, ela deixou lições bem aplicáveis, e vale recapitular. Em linhas gerais, o que ela defende é simples e potente:

  • Em primeiro lugar, assuma uma voz. Mostre quem você é para que as pessoas escolham se querem caminhar ao seu lado.
  • Além disso, humanize a relação. As pessoas se conectam com pessoas, não com placas ou CNPJs.
  • Use as redes como linha direta: feedback chega na hora, então aprenda com ele.
  • Por fim, apareça fora da tela. Por exemplo, eventos, encontros e experiências presenciais criam vínculos que nenhum post cria.

Por que o jornalismo de moda mudou, segundo Mônica Salgado?

Mônica Salgado viveu a transição de um ecossistema que era vertical (poucos mediadores, muito poder concentrado em redações) para um cenário pulverizado (múltiplas fontes, criadores independentes, audiência dispersa). Na chave antiga, revistas definem regras. Mas, na nova, a conversa manda. E conversa pede tom humano, repertório e coragem de apostar no novo sem perder a responsabilidade do cargo.

Além disso, ela também foi franca sobre a parte dura: redações do passado, muitas vezes, normalizavam toxicidade. A indústria amadureceu, processos evoluíram, e as regras de comportamento ficaram mais claras. Ao mesmo tempo, a lógica de negócios mudou: onde antes havia receita de banca e anúncio impresso, hoje há conteúdo, comunidade e experiência. E é nessa tríade que quem comunica precisa operar.

O poder de se posicionar sem medo

No fim, o recado de Mônica Salgado é direto: posicionar não é brigar, é ser coerente. É entender que toda escolha carrega riscos — quanto mais disruptiva, maior o risco —, mas que a recompensa de ver uma ideia ganhar o mundo vale a ousadia. Portanto, se você trabalha com comunicação, moda, marca pessoal (ou simplesmente quer se colocar mais), algumas chaves do papo ajudam a virar a mesa:

  • Liberdade com responsabilidade: falar o que pensa, sim; dentro dos próprios princípios, sempre.
  • Comunidade acima de números: parte do público sai, parte fica mais perto; no longo prazo, fica quem importa.
  • Vulnerabilidade conecta: admitir o lado B abre espaço para conversas reais.
  • Experiências contam: eventos e encontros relembram que o digital começa (e termina) em pessoas.

Por fim, fica um traço que atravessa a entrevista do começo ao fim: otimismo pé no chão. Ela sabe que cancelamentos existem, que rótulos surgem fácil e que nem todo mundo vai concordar com tudo. Porém, também sabe que a internet pode ser um lugar de acolhimento, debate e construção — quando a conversa nasce de valores claros.

Então, se a pergunta é “como se posicionar sem medo?”, a resposta que Mônica Salgado oferece pelo próprio exemplo é: com consciência, com estudo, com afeto e com coragem para arcar com as consequências. A partir daí, a liberdade deixa de ser slogan e vira prática diária.

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Nos vemos no próximo!

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