67. #PapoÍntimo com Carolina Ferraz

carolina ferraz

Quarenta anos de carreira. Esse número, quando dito assim, de forma direta, já diz bastante sobre quem é Carolina Ferraz. Mas, o que o número não conta — e o episódio 67 do Papo Íntimo contou — é tudo que veio antes do sucesso, tudo que sustentou essa trajetória por dentro e tudo que ela escolheu deixar para trás quando o momento pediu reinvenção.

O que Carolina Ferraz revelou sobre a perda que mudou tudo?

Antes de falar de novela, de Globo ou de qualquer coisa que o público associa ao nome Carolina Ferraz, ela foi direto ao que moldou quem ela é: o assassinato do pai, quando ela ainda era adolescente em Goiânia.

Ela cresceu em uma família de classe média alta, com uma infância que ela descreve como muito feliz: andava descalça na rua, subia em árvore, brincava na chuva, tinha o pai em casa para o almoço todos os dias. Então, esse cenário mudou de forma abrupta e violenta.

O pai tinha um sócio, brigaram por dinheiro, e esse sócio mandou matá-lo. O detalhe que Carolina contou e que ficou no ar: o pai havia sofrido um atentado antes e tinha a chance de ir para Nova York fazer uma pós-graduação com toda a família. Porém, decidiu ficar para resolver a situação e, seis meses depois, foi assassinado.

“Eu acredito que nós somos a somatória de tudo que nos acontece ao longo da vida, as coisas boas e as coisas ruins.” Por ser a caçula, Carolina diz que teve espaço para viver o luto de verdade, enquanto os irmãos mais velhos precisaram assumir responsabilidades imediatas, ela pôde atravessar a dor sem precisar segurá-la. E isso, segundo ela, fez toda a diferença.

Da dança à televisão: como Carolina Ferraz construiu uma carreira sem planejar

Depois da morte do pai, a família se mudou para São Paulo. Dessa forma, Carolina continuou o balé — que estudava desde pequena em uma escola em Goiânia que ela compara ao Cisne Negro — e chegou a dar aulas para ganhar dinheiro antes de entrar no mercado de moda como modelo.

Então, a televisão veio de forma completamente inesperada. Ela foi convidada para apresentar dois programas na TV Manchete, um diretor artístico gostou do que viu e a chamou para um teste. Sem nenhuma formação em atuação, ela passou. A primeira novela foi Pantanal, que foi um sucesso imediato. Ela ganhou prêmios de atriz revelação e, a partir daí, abraçou a profissão de verdade.

Foram 27 anos na TV Globo. Uma carreira que ela descreve como absurdamente produtiva: muitas novelas, ritmo intenso, quase sem pausas. “Quando você é protagonista, existe uma tabela, você tem que estar em 70, 75% das cenas”, ela explicou.

Portanto, quando a Globo avisou, com um ano de antecedência, que não renovaria o contrato, Carolina diz que não ficou com mágoa. A emissora estava mudando, o mercado estava mudando, e ela aceita isso com a mesma clareza com que aceita tudo que já passou.

Como Carolina Ferraz vê a vida depois da Globo e quais são os próximos planos?

Hoje, Carolina apresenta o Domingo Espetacular na Record e tem contrato que permite atuar em filmes, minisséries e peças. Fazer novela? Ela é categórica: não quer mais. “Eu fiz as melhores novelas com os melhores autores, os melhores diretores, atores maravilhosos na época áurea. Eu não queria fazer novela em outro lugar.”

Além da televisão, Carolina também olha para o teatro — está escrevendo um texto para uma comédia, embora admita que a autocrítica dificulta terminar. É a mesma autocrítica, ela diz, que aparece quando tenta acabar um livro. Já escreveu alguns de culinária e sabe bem como a voz interna de “não tá bom” pode atrasar qualquer projeto.

Por outro lado, empreender entrou nessa história de um jeito muito pessoal. Durante a pandemia, ela e a filha Valentina criaram juntas a Cimples, uma marca de louças. O nome vem do “C” de Carolina mais “simples”, porque, como ela explica, “as coisas simples são as mais difíceis de fazer”.

Sendo assim, ela cuida da parte criativa, Valentina da parte executiva. Além disso, o e-commerce foi fechado para uma reestruturação e a previsão é de volta com novidades no segundo semestre.

Trabalhar com a filha, ela conta, tem as delícias e as dores. Existe uma complacência que não existiria em uma relação puramente profissional — e uma exigência também, porque você sabe exatamente do que a pessoa é capaz.

O que Carolina Ferraz pensa sobre envelhecer, cuidar da pele e longevidade

No episódio, Carolina Ferraz e Sandra Chayo compartilham a mesma filosofia de cuidado com a pele: seguem o método da esteticista Roseli Siqueira há mais de dez anos, sem laser, sem ácidos.

Assim, ela foi direta ao explicar a lógica por trás disso: procedimentos abrasivos enfraquecem a pele em vez de fortalecê-la. A rotina dela envolve máscaras várias vezes por semana, hidratação intensa, ginástica facial com guachá e rolo de gelo toda manhã.

Além dos cuidados externos, Carolina está mergulhada no universo da longevidade. Então, segue os trabalhos de David Sinclair e Walter Longo, faz jejum de cinco dias uma vez por mês e mudou completamente a relação com a alimentação — come comida de origem conhecida, não usa óleo de semente, só azeite e gordura animal, e quer saber como cada coisa é feita antes de colocar no prato.

A menopausa também entrou na conversa. Carolina engravidou da filha mais nova, Isabel, aos 47 anos, por fertilização in vitro, com uma dose que ela descreveu como cavalar de hormônios, 700 ml por dia. A menopausa que veio depois foi assintomática, sem fogachos. Ela atribui parte disso à saúde biológica que tinha — sua reserva ovariana era boa para a idade — e à forma como vinha cuidando do corpo.

Maternidade, Israel e quem é Carolina Ferraz fora das câmeras

Carolina tem duas filhas com 20 anos de diferença entre elas: Valentina, de 31, e Isabel, de 10. Ela descreve as duas como completamente diferentes em personalidade: Valentina discreta e resolvida, Isabel extrovertida e artística.

Como mãe, diz ser permissiva, mas tem uma linha clara: não pode mentir. “Pode falar tudo, mas não pode mentir para mim.” Quer que as filhas cresçam sendo boas pessoas, honestas, com autonomia — e reconhece que educar hoje, com redes sociais e toda a pressão que vem de fora, é mais difícil do que nunca.

Em 2024, ela fez uma viagem a Israel a convite do Ministério do Exterior. No primeiro dia, houve um ataque com sirene durante o jantar. Ela sentiu medo, mas observou que as pessoas ao redor reagiram com total calma, como quem já vive aquilo há anos. Depois disso, ela diz que se acostumou. Saiu de lá muito impressionada com a tecnologia, a comida, a diversidade cultural e o amor que as pessoas têm pelo país. Fez um programa especial sobre a experiência no Domingo Espetacular.

Na intimidade, Carolina Ferraz é uma pessoa que adora ficar sozinha. Lê muito, vê séries, dança sozinha em casa, às vezes nem avisa que está em São Paulo para poder ter esse tempo. “Eu me sinto muito bem sozinha”, ela disse.

E talvez seja exatamente isso — essa capacidade de se bastar, de se reinventar, de não depender da aprovação de ninguém — que explica os 40 anos de uma carreira que continua em movimento.

O episódio 67 do Papo Íntimo está disponível no YouTube. Vale cada minuto!

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